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HBO confirma a morte de Jon Snow
31
maio
2016
Opinião|Kit Harington vê sexismo contra homens em Hollywood: “É humilhante”

Kit Harington, de “Game of Thrones”, quer que o mundo saiba que há mais nele do que ser apenas um rostinho bonito. O ator disse em uma entrevista recente que ele tem lidado com problemas em sua própria carreira devido a “um sexismo que acontece em relação aos homens”.

“É humilhante. Sim, em algumas maneiras você poderia argumentar que tenho um emprego por causa da minha aparência. Mas há um sexismo que acontece em relação aos homens”, diz o ator.

“Há definitivamente um sexismo em nossa indústria que acontece com as mulheres, e há para os homens também”, continuou ele. “Em alguns momentos durante photoshoots quando me pedem para tirar a roupa, eu senti isso.”

Em contrapartida, um estudo recente examinou 2.500 personagens femininas no top 100 filmes, e descobriu que apenas 34 por cento dos personagens principais eram do sexo feminino, o que representa um aumento modesto a partir de 2014.

Além disso, Paramount e 20th Century Fox, dois dos maiores estúdios do mundo, não tiveram diretores do sexo feminino até 2018. 22 filmes consecutivos da Fox – sem contar Fox Searchlight, divisão da arte-casa do estúdio – e 25 lançamentos consecutivos da Paramount tem apenas diretores do sexo masculino. Até agora, isso cobre todos os filmes programados para chegar aos cinemas este ano, no próximo ano e 2018 também.

Como se tudo isso fosse pouco, os salários das mulheres são menores que os dos homens, mesmo que seus personagens tenham a mesma (ou maior) importância para a história, como denunciado recentemente pela atriz Robin Wright, de House of Cards.

Um boa notícia é que a produção de GoT diminuiu essa diferença de salários, colocando os seus atores em duas categorias de acordo com a relevância de seus personagens. Kit e Emilia Clarke estão na categoria A, por razões óbvias, e recebem US$ 3 milhões por temporada. Já Patrick Dempsey e Ellen Pompeo, de Grey’s Anatomy, apesar de pequena, tinham uma diferença de 500 mil dólares em seus salários, mesmo Pompeo sendo a personagem-título da série.

Não estou dizendo que os homens não possam sofrer com o sexismo, podem sim, e sofrem mesmo, como por exemplo quando um menino quer fazer aula de balé, mas não pode, por julgarem o balé como “coisa de menina”… Mas esse sexismo é imposto por eles (homens) para eles mesmos! Sexismo é diferenciar por gênero, colocar as pessoas em caixinhas e querer moldá-las de acordo com o gênero (obrigada a bloggeira Lola Aronovich pela didática definição).

No caso do Kit, pra tentar ser didática como a Lola, é completamente diferente ele se sentir intimidado/com vergonha ao tirar a roupa – e convenhamos, quando ele diz “tirar a roupa”, não quer dizer tudo, homens raramente ficam pelados em frente às câmeras – e uma atriz receber uma ligação avisando que tal site publicou uma matéria falando de suas estrias, ou dizendo o quanto ela ainda está gorda após ter seu primeiro filho.

O Kit não perderia um papel por ser considerado feio, se ele mostrasse o quão competente ele é. Já a Meryl Streep perdeu o papel no filme King Kong por ser “feia demais”. E todos nós sabemos o quão competente ela é. Isso é sexismo.

Mais um exemplo super fácil pra entender sexismo: num tapete vermelho, digamos o do EMMY, quantas vezes perguntam a um homem quem está assinando o terno que ele está usando? Ou quem é o designer dos sapatos? E quantas vezes perguntas isso às mulheres? Pois é. #AskHerMore

Parece que o ‘Jon Snow’ realmente não sabe nada, pelo menos na vida real, e está apenas com a conhecida “male tears” (se você não está familiarizado com o termo, uma rápida pesquisa no google deve sanar o problema).

Não é “humilhante” ficar com vergonha de tirar a camisa num photoshoot. Humilhante, na verdade, é receber menos que um homem mesmo sendo a personagem principal; é perder papéis novos por ser considerada velha aos 30 anos; é fazer par romântico com um ator em um ano, e no outro ser sua mãe; é ter que gravar cenas de sexo sempre do ponto de vista masculino; é ter sua personagem estuprada apenas para dar motivação. Só para citar alguns exemplos.

Mas, acima de tudo, humilhante é não poder falar sobre isso abertamente, por ter que “preservar” o emprego. E além de ter que sofrer assédio/sexismo/machismo calada na maior parte do tempo, ainda ter que ouvir um ator dizer que “homem também sofre”, quando não duraria 1 dia na nossa pele.

Sentir vergonha de “tirar a roupa” num photoshoot é o mínimo que se sofre nesse ramo do entretenimento, que realmente só se interessa por aparências. Isso é só a ponta o iceberg, caro Kit Harington.

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